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terça-feira, 30 de julho de 2013

Ballet sem idade


Muitos são introduzidos no ballet quando crianças, mas infelizmente nem todos tem a mesma sorte. E ao contrário do que parece, alguns não crescem com o sonho de ser um bailarino ou bailarina, o sonho de ser bailarino (a) que cresce dentro deles com o tempo. Às vezes são apresentados ao ballet clássico tarde, ou quando mais novo (a) achava tudo muito parado, ou os pais não quiseram ou puderam colocar. Mas para ser sincero eu admiro mais quem começa a fazer ballet com 40 anos de idade do que quem faz desde os quatro, não me importa se a pessoa não tem o físico, ou flexibilidade exigida, pois estamos vivendo em um mundo que o que é mais valorizado é o físico e o sentimento de amor à dança vai sendo deixado para trás.

E se a pessoa em questão entrou para uma aula de ballet adulto ou adolescente, é porque gosta. E às vezes quem faz ballet há 15 anos permanece com as sapatilhas nos pés simplesmente por ser mais cômodo, porque depois que se aprende a andar na ponta dos pés, realmente é difícil andar com o pé inteiro no chão. Não significa que uma bailarina que consiga fazer 36 fouettés seja mais feliz que uma que só consiga fazer pirueta simples; às vezes ela nem consegue fazer uma conta de subtração, enquanto a outra cursa medicina em uma faculdade federal, e se julga melhor que ela. Cada qual tem sua qualidade e diferencial, mas todas merecem ser igualmente felizes.

Quem começa a fazer ballet cedo em uma boa escola tem obrigação de saber a técnica do ballet clássico, já o lado artístico não se aprende com o tempo, nasce com a pessoa, às vezes ela só é bailarino ou bailarina por consequência, ai quem não tem sorte é ela, que está vivendo infeliz. Não se deve culpar o tempo, não se deve ouvir criticas que não são construtivas, não se deve pensar que não vai conseguir. É necessário esforço.

Um bebê não consegue andar sem antes cair, se machucar, e ter cicatrizes, a diferença é que essas cicatrizes se curam conforme você percebe que está se superando, que valeu a pena deixar de achar o ballet lindo e passar a fazer parte dele e ele parte de você. Não tem que achar "ridículo" colocar uma meia calça ou um collant, sapatilhas e entrar em uma aula iniciante. Ridículo é quem deixa de viver fazendo o que ama, ou quem te crítica, porque às vezes quem critica é só uma pessoa frustrada que não teve a mesma coragem que você. E quem vive de lágrimas sente dor ao ver um sorriso, ainda mais quando esse sorriso poderia ser o dela.

Lucas Splint

domingo, 28 de julho de 2013

Corpo de Baile e Primeira-bailarina


Certamente você verá bailarinas no corpo de baile com a perna mais alta, com o alongamento melhor que a primeira-bailarina e vai se perguntar por que ela ocupa um posto tão importante já que há outras bailarinas "melhores". Mas na hora de fazer a "Odette" é ela que te faz chorar, e você percebe que a diferença vai além de uma perna alta, de um colo de pé... Porque ela é artista, dança e não faz ginástica no palco.

É ela que fora dos palcos não se envolve em confusões, fica nos ensaios extras, onde aquela que você considera tecnicamente melhor prefere ir à praia aos sábados, ir a balada na sexta, faltar o ensaio na quinta, ao invés de ensaiar. Onde sim, poderia ser primeira-bailarina, mas o diretor de uma companhia não enxerga as bailarinas apenas quando estão de sapatilhas, mas também quando as tiram dos pés.

Primeira-bailarina tem que encantar, tem que ser aquela que mesmo se estiver no corpo de baile vai se destacar das demais, sair do ballet, mas não deixar o ballet sair de dentro dela, ser consciente que a fada que as crianças vêem no palco não pode ser vista depois na rua com um copo de bebida nas mãos.

Apenas pensar em querer ser primeira-bailarina deixa poucas chances de conseguir, mas se pensar em encantar quando dança para mil pessoas em um teatro da mesma forma que dança para uma na praça, pode não só ser primeira bailarina, mas também ser inspiração para o mundo.

O problema é que as pessoas dão mais importância ao status do que ao seu bem estar, deixam a alegria de dançar em segundo plano e são consumidas pela ganância. É triste, pois além de não ser uma primeira-bailarina, aos poucos vai deixando de ser bailarina, vai parando de se encantar ao subir no palco, de se emocionar ao ouvir os aplausos...

Uma bailarina do corpo de baile às vezes é muito mais feliz do que uma grande estrela, pois ela entra no palco e simplesmente dança. Claro que ela um dia gostaria de ser uma "Giselle" ou uma "Kitri", mas se ela brilhar na última fila do segundo elenco, o holofote automaticamente vai se direcionar a ela. E aí, por mais que os holofotes se apaguem, ela vai continuar brilhando.
Lucas Splint